PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

O Congresso dos Jornalistas (2)

4-congresso-jornalistas_portugueses_jan2017

Tem de ser: volto ao tema do Congresso de Jornalistas, de trabalhos encerrados há pouco. Volto para dizer que hoje, a ver em streaming pedaços do que se passou no Congresso, e designadamente as intervenções dos jornalistas Ricardo Rodrigues (entre outros sobre o insuportável – para além de totalmente inaceitável do ponto de vista do próprio jornalismo – jornalismo de agenda) e Luís Nascimento (sobre o alinhamento de tantos jornalistas com os poderes, especialmente deixados à mostra durante a vigência do chamado programa de resgate da troika) compreendi uma coisa: as condições de trabalho para os jornalistas em redacção (os que ainda têm trabalho, a que se acrescenta, claro, o contingente de colaboradores precários) são de tal forma más que este congresso teve de levá-las para o centro de todos os debates. Como falar do que a mim me interessa e anima (o jornalismo português no futuro próximo) se está tudo por resolver no plano da regulação do trabalho?

Claro que há quem ache que não há crise nenhuma no jornalismo. O actual director do Público escreveu hoje mesmo sobre essa suposta fantasia, num texto inqualificável, sem relação alguma com o que o jornalismo foi, é e será, e ademais indigno de um director de um jornal com pergaminhos de qualidade no contexto do mais recente jornalismo português.

«(…) Alguém assistiu porventura a outras experiências, a autênticas e bem pensadas inflexões?(…)» (António Guerreiro no Público)

Ainda não. Mas o dia há-de chegar, quando os jornalistas perceberem o que a globalização fez ao jornalismo e o que é preciso que façamos com isso em Língua portuguesa. Algumas ideias aqui.

Anúncios

About Sarah Adamopoulos

Antiga jornalista profissional, dedica-se à edição de livros - criação e produção editorial - desde 2008. Anda pelos blogues desde 2003, lugares de eleição para a escrita rápida e para o debate de sociedade. Autora de vários livros, entre os quais "Fado menor" (literatura, 2005) e "Voltar – memória do colonialismo e da descolonização" (investigação historiográfica, 2012). Traduziu, entre outros, o primeiro grande estudo económico sobre a desigualdade no Mundo publicado no século XXI ("O capital no século XXI", de Thomas Piketty). Tem sempre peças de teatro e poemas na cabeça.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: