PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

O livro proibido do grande arquitecto

 

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Ouvi dizer que o grande arquitecto José António, director de jornais desempregado, resolveu deitar mão ao seu caderninho de memórias e publicar um livrinho de mexericos. Porém, ao contrário do recente best seller desse outro jornalista desempregado, Fernando Lima (Na Sombra da Presidência, Porto Editora, 2016) os mexericos do grande arquitecto realmente interessantes não são de natureza política, mas de natureza sexual. Menos mal, tendo sobretudo em conta que as tricas do Fernando Lima já não eram propriamente novidade para ninguém.

A avaliar pela capa, Cavaco Silva, António Guterres ou até mesmo Marques Mendes já tiveram uma vida sexual. É bom saber. Também são gente, também têm direito à vida.

A primeira fotografia que aparece no canto superior esquerdo é a de Álvaro Cunhal. Acho estranho. Não me parece que algum camarada, morto ou vivo, se atrevesse a partilhar fosse o que fosse da sua vida íntima com o senhor arquitecto.

Mário Soares, Pinto Balsemão, Santana Lopes, Durão Barroso ou José Sócrates sempre gostaram de ser vistos com playboys de sucesso. Uns mais garganeiros, outros mais come-e-cala, suponho que não seja por aí que venha novidade de monta.

Em relação ao actual presidente da República, a não ser que uma alma penada tenha uma VHS em bom estado com aquela badalada noite numa suite do Sheraton, não estou particularmente interessado. Quem muito fala, pouco come. E, como toda a gente pode ouvir, o actual PR fala pelos cotovelos.

Quanto a Leonor Beleza, depois de ter sido associada aos vídeos piratas doutro arquitecto, o Tomás Taveira, não parece haver mexerico que ainda a possa incomodar. Mas já era capaz de gostar de conhecer pormenores picantes sobre Manuela Ferreira Leite. Ou sobre Teodora Cardoso, ou Carlos Alexandre ou Manuel Clemente. Infelizmente, a avaliar pela capa, estes últimos parece não constarem no livro proibido do grande arquitecto.

Entre os testemunhos mais salientes, parece que houve mesmo um morto que, do além, garantiu ao grande arquitecto que o irmão é homossexual. Aceitam-se apostas em como não é o misterioso Jacinto Leite Capelo Rego. Nem o ninja Iroku Sai Karo.

O super-herói Passos Coelho, primeiro-ministro também ele no desemprego, aparece igualmente na capa. Não por razões de alcova, mas apenas porque ia apresentar o livro do amigo José António. Ia, mas contra a palavra dada, agora diz que já não vai. Lindo. O arqui-vilão António Costa (que aparece na primeira fila, vá lá perceber-se porquê, entre Cavaco e Guterres) deve estar a pensar com os seus muitos botões — com inimigos destes, para que é que preciso de amigos?

O que me realmente me surpreende é aquele destaque ao fundo da capa — O Livro Proibido. Desculpem armar-me em saloio de Mação, mas se o diacho do livro é proibido como é que, afinal, pode ser posto à venda?

Como se pode ver, tem tudo para ser um sucesso. Eu não conto comprá-lo, muito menos lê-lo. E aconselho-vos, vivamente, a fazer o mesmo. As partes picantes virão certamente escarrapachadas nos jornais. Portanto, mais vale comprar o jornal. Dá menos trabalho a ler, sempre se ajuda a imprensa que anda pelas ruas da amargura e sai muito mais barato quando o despacharem para a reciclagem. E, assim, contribuímos todos para ajudar o ambiente. Que bem precisa.

 

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EU E OS POLÍTICOS, o que não pude (ou não quis) escrever até hoje [O Livro Proibido],  José António Saraiva, Gradiva, 2016

 

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This entry was posted on 21 de Setembro de 2016 by in Mesinha de cabeceira, Patrícula elementar and tagged , , , , .

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