PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Serviço à inglesa

 

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“We are with Europe, but not of it. We are linked but not combined. We are interested and associated but not absorbed. If Britain must choose between Europe and the open sea, she must always choose the open sea.” — Winston Churchill, 1953

 

Há um fenómeno ideológico, nacionalista, que atrai com a mesma leveza de espírito, tanto a direita mais trauliteira, quanto a esquerda mais folclórica. Parecia ter desaparecido da Europa, de vez. Afinal, nem por isso.

Daqui a dois anos faz 100 anos que foi editado O DECLÍNIO DO OCIDENTE, de Oswald Spengler. Caído no esquecimento, porque alguns dignitários do Partido Nacional-Socialista o glosaram, a verdade é que o III Reich o condenaria ao ostracismo, logo em 1933. Tudo porque Spengler tinha uma visão pessimista para o futuro da Europa, Alemanhas incluídas.

Cem anos depois, é mais que óbvio que o Ocidente a que Spengler se referia, a Europa, conta cada vez menos no mercado do geopoder internacional. Do eixo Londres-Paris-Berlim, passou-se ao eixo Washington-Moscovo com umas simpáticas atençõezinhas às tias ricas da Europa. Porém, cada vez mais, o que hoje realmente conta é o eixo Washington-Pequim. E a Europa só conta para os pobres refugiados, apenas porque não têm meios para atravessar o Atlântico.

A única hipótese que a Europa teria de sobreviver como civilização, porque nisto das civilizações o tamanho conta, só poderia passar por uma Europa federal. Não esta que agora temos, mas uma Europa onde os cidadãos votassem nos seus governantes, como nos EUA, por exemplo. O separatismo, inglês, escocês, catalão, etc., só nos pode conduzir a um vistoso lugar na História — a nota de rodapé.

Uma coisa é certa. Tal como Gorbatchov ficou para o fim da União Soviética, assim Cameron ficará para o fim do Império Britânico. Na ânsia do curto prazo eleitoral, prometeu o referendo e criou um monstro que pensava poder controlar, mas que lhe escapou pelos dedos do afamado hooliganismo britânico. Ou, como dizem os espanhóis — “cria corvos e eles comer-te-ão os olhos”. Os mesmos espanhóis que já se preparam para deitar a unha a uma das últimas e mais simbólicas possessões do império ultramarino britânico — o calhau de Gibraltar.

Conta-se que César Monteiro tinha um hoje, especialmente hoje, bastante compreensível ódio de estimação — os ingleses. Parece que, destes convencidos ilhéus, costumava dizer que eram como os percevejos, que haviam de servir para alguma coisa, mas que nunca tinha percebido muito bem para quê.

Contaram-me também que, nas Galegas, uma tradicional tasca de intelectuais ao Bairro Alto, se lhe traziam a bifana e se esqueciam do guardanapo adicional, que isto da fêvera é sempre um pedaço de carne frita que pinga mais gordura que o habitual, o César Monteiro se passava e perguntava:

“Então, isto agora é serviço à inglesa?”

Por outras palavras, parafraseando o velho Winston Churchill — que o mar vos seja leve.

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This entry was posted on 25 de Junho de 2016 by in Patrícula elementar, Política internacional and tagged , , , .

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