PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Conseguiram

Afundar a CGD. Primeiro, retirando-lhe uma posição especial, de estabilidade do sistema, para que outros bancos nascessem à custa de algumas áreas de negócio que lhe eram exclusivas, alegando que eram privilégios (tática muito usada sempre que querem destruir algo). Depois, usando-a como prateleira dourada de aparelhistas de todas as cores do arco da governação, gente sem qualificação para cargos de responsabilidade, de cardonas a varas, a quem se recompensaram serviços ou se colocaram em posições para conceder os créditos certos às pessoas certas. Em seguida, servindo-se dos seus fundos para salvar bancos falidos pela brilhante gestão dos nossos empreendedores de génio, os jardins, os salgados, os rendeiros, os ulricos, enquanto se faziam danças de cadeiras entre as administrações das caixas, dos milénios e afins (com toques de capital da ditadura africana mais necessitada de uma escápula europeia para as suas manobras financeiras). Uma completa vergonha, transversal aos governos e à classe política, conduzindo à progressiva degradação da única instituição credível do nosso sistema bancário. Mas ninguém será responsabilizado seja pelo nque for, dirão todos que fizerem o que podiam, que a crise foi internacional, que o banco de portugal isto e a comissão europeia aquilo. Voltaremos todos a pagar os desmandos alheios. e quem deveria informar aquilo que era visível de uma aldeia da província por um qualquer caramelo sem baias nos olhos estava mais preocupado em fazer viagens à conta e a almoçar de borla em troca de silêncios, por causa dos riscos sistémicos. Um pântano vergonhoso de cumplicidades, mesmo se servidas por gente com camisas de bom corte, gravatas de seda e dandismos serôdios como os de certos senadores do nosso jornalismo, óptimos a produzir sentenças máximas em epístolas mínimas de substância, encantadas com a sua própria fluência vácua. Gente sempre disponível para (não) informar, Na primeira ou última página. Em prime time telejornalístico ou em espaço assinado.

claustrofobia

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About Paulo Guinote

Professor quando me deixam. Investigador quando posso.

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This entry was posted on 21 de Maio de 2016 by in Economia, Jornalismo, Patrícula elementar, Política nacional.

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