PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

King Krule, o miúdo maravilha?

 

Aos doze anos, compôs Easy Easy, a primeira música do disco. Com essa idade, ainda eu jogava aos berlindes.

Falo de Archy Marshall, que atende pelo nome King Krule e que, com apenas 19 anos, editou em 2013 6 Feet Beneath The Moon, o seu LP de estreia, nada menos que fenomenal. Exagero, talvez sim, mas ando a ouvi-lo no carro incessantemente e ainda não me cansei. Com raízes no sul suburbano de Londres, álcool, sobrevivência, quotidiano, solidão, fúria e frustrações, empregos sem futuro, relações fracassadas, são etiquetas que se colam à pele de King Krule, retratista de uma geração.

Expulso da escola aos 12 anos, depois de passar uma temporada em exames médicos por suspeitas de doença mental, acabou por mais tarde, obrigado pelos pais, voltar aos estudos na Brit School (London School for Performing Arts & Technology): “o meu pai forçou-me a ler o Oliver Twist e o Moby Dick. Eu mandei-o foder. Mas li.”

Estilos de música como, punk rock, jazz, hip-hop, dubstep electrónico, trip-hop, darkwave, folk, blues e rock clássico, e músicos tão díspares como Tom Waits, Morissey, Billy Bragg, Mick Jones, Joe Strummer, Durutti Column, Young Marble Giants, Gene Vincent, Lounge Lizards, Herbie Hancock, Donny Hathaway, Charlie Mingus e Chet Baker, são influências assumidas no seu trabalho (a excelente Baby Blue lá está, para provar tal afirmação).

Irreverente e dotado de uma voz abrasiva, áspera e baritonal, alternando entre uma rude pronúncia proletária e um registo romântico exacerbado, King Krule (nome inspirado no filme King Kreole, realizado em 1958, por Michael Curtiz, com a estrela Elvis Presley), toca uma guitarra percussiva e raivosa, recorrendo ao delay e à reverberação, sobre fundos estilizados de matriz electrónica e tempos do beat, a que alia uma assinalável qualidade no songwriting e uma boa dose de personalidade interpretativa, capaz de nos transportar para ambientes antagónicos invulgares e originais, sobretudo para um rebelde imberbe de apenas 19 anos de idade.

Pode ser que seja apenas um novo wonder kid, mas até à edição do novo álbum, Damon Albarn que se cuide.

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This entry was posted on 9 de Abril de 2016 by in Banzai, Música, Patrícula elementar and tagged , .

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