PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Moscovici, notre ami da onça

MoscoviciTemos adversários internos e externos. O comissário Moscovici, dito socialista, mas na prática mais um dos neoliberais europeus, serventuário de Schäuble, anunciou: estará amanhã em Lisboa para pressionar o Governo português no sentido de aplicar medidas de austeridade adicionais, Plano B. Sem argumentos objectivos, a não ser referências superficiais à dívida pública e às metas orçamentais de 2016, rebela-se contra o Executivo de António Costa (AC), suportado por uma maioria parlamentar.

O executivo de AC programou e cumpriu a devolução de cortes nos salários, pensões e em outras prestações sociais, aumentando o salário mínimo nacional. Moscovici, que se diz socialista e pertence, de facto, ao ‘gangue’ de Hollande, na qualidade de dirigente europeu, ousa enfrentar Portugal de forma desabrida e contraditória. A UE está concentrada nos pequenos países do Sul – Grécia e Portugal. Também, em matéria orçamental, se confronta com problemas em Espanha (sem governo desde as eleições de Dezembro de 2015) e com Itália, com uma dívida pública que é segunda maior depois da Grécia (mais de 132% do PIB) e superior à portuguesa (cerca de 129% do PIB).

Todavia, o citado cidadão francês e socialista, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, vive obcecado com o orçamento de Portugal para 2016, insistindo que o nosso Governo deverá aplicar medidas de austeridade adicionais – é este o motivo que o trará a Portugal amanhã, segundo afirmou.

Na actuação do nefasto Comissário – e a razão é facilmente perceptível – o seu país, a França, é poupado a críticas e à pressão de implementar mais austeridade, fenómeno que, de resto, é de todo inaceitável. Basta observar e analisar o quadro seguinte:

graph-evolution-deficit-dette-publique

No segundo trimestre de 2015, a França atingiu a dívida pública de 97,6% do PIB. Os gauleses tiveram em 2015 um défice orçamental de 3,8% do PIB e prevê-se que em 2016 atinjam 3,4% e 3,2% em 2017. A estas previsões deverá adicionar-se o desemprego que neste momento se fixa em 10,5%, não se prevendo melhorias substanciais até final do próximo ano. Que comentário, críticas e exigências tem o Sr. Moscovici a formular à sua ‘douce France, cher pays de (s)on enfance’? É matéria esotérica, porque, segundo o Eurostat, um País que tinha uma divida de cerca de 96% sobre 2,142 biliões de euros em 2014 (= 2,052 biliões de euros) constitui um problema menos complexo do que um outro pequeno, Portugal, com uma dívida de 224 mil milhões, ou seja, 12% dívida do primeiro).

Os dirigentes das chamadas grandes potências europeias e seus serventuários, com deplorável desonestidade, usam a fragilidade e a falta de capacidade dos pequenos Estados-membros do Euro para responsabilizar quem tem menos meios de defesa, numa Europa cujo sistema financeiro está em ruptura e os estímulos do BCE (dedicados ao mercado secundário), jamais produziram os resultados que Draghi alvejava. A banca Europeia está numa situação financeira grave e, naturalmente, que, cedo ou tarde, vamos saber o montante das contas a pagar.

Os portugueses já pagaram com o BPP, BPN, Banif, BES, Novo Banco, mas as contas ainda não estão encerradas. Porém, não haja ilusões; se o Brexit vencer, a UE bem pode encerrar as portas.

Anúncios

About Carlos Fonseca

One comment on “Moscovici, notre ami da onça

  1. Pingback: Moscovici, notre ami da onça

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: