PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

A gravidade ocultada da situação da banca europeia

Ilustração de David Foldvari, Bloomber Business

Ilustração de David Foldvari, Bloomberg Business

Neste Portugal, pulverizado de gente pequena em lugares da cabala, a comunicação social e os ‘sites’ conservadores da blogosfera focam-se, em proporções mínimas e inevitáveis, em notícias de eventos públicos e notórios a respeito dos desaires da banca – é-lhes impossível esconder informação evidente do BPP (de Rendeiro, Júdice & Cia), do BPN (em processos judiciais que, em benefício de infractores, estão em risco de se extinguirem por prescrição), do ex-BES, do Novo Banco e do Banif, assim como das decisões do Banco de Portugal, do Dr. Carlos Costa, lesivas de interesses País, minando a credibilidade dos investidores externos e favorecendo a alta de juros para as contas públicas (transferência do Novo Banco para o falido BES de 2 milhões de euros de obrigações seniores). 

No doentio propósito do combate ao actual Governo, escamoteiam-se ou distorcem-se as verdades, em relatos e comentários, publicando-se, em agigantadas parangonas, que os juros a 10 anos atingiram 4,25% há  dias. Todavia, a queda dos mesmos juros, hoje fixados em 3,430% a nível internacional, ou é objecto de noticias e títulos discretos ou, pura e simplesmente, é facto ignorado na informação ‘online’ ou em papel nos jornais económicos, e mesmo nos ditos de referência (das TV’s nem é necessário comentar, uma vez que o único conteúdo de comunicação económica diz respeito ao índice PSI-20 e às bolsas europeias).

Se um cidadão de Estado-membro da UE, Portugal no caso, fizer questão de estar devidamente informado sobre a banca europeia, que vive um momento conturbado (Deutsche Bank, Sr. Schäuble!) e diante de um futuro de negras perspectivas, a melhor opção é recorrer a órgãos de comunicação estrangeiros, credíveis. É o caso da Bloomberg Business que hoje publicou esta notícia, da qual se apresenta a tradução:

“Uma História sem Fim: Os Bancos da Europa Enfrentam um Futuro Assustador

Se você tivesse que escolher o momento quando o Sistema Bancário Europeu haja chegado ao ponto de não retorno, que data escolheria? O dia de Julho, em 2012, quando Bob Diamond renunciou ao cargo de CEO (Chief Executive Officer) do Barclays no meio do escândalo da manipulação da Libor? Ou na manhã de Outono, posterior, naquele ano, quando a UBS anunciou retirar o rendimento fixo e despedir 10.000 empregados? Que tal 12 de Setembro de 2010, quando a reforma Basileia III começou a exigir maiores reforços de capitais às economias das finanças globais?

Para que não restem dúvidas, todos os eventos assinalados são úteis. Mas tente 21 de Maio de 2015. Foi quando os accionistas do Deutsche Bank registados no espaço, em forma de cúpula de Festhalle em Frankfurt, a fim de participar num dos mais venerados e, sejamos honestos, aborrecidos rituais na vida empresarial, emitem um voto, favorável ou não, na estratégia de gestão e desempenho. Não foi sem graça, desta vez. Quase 40 por cento dos investidores do banco deram aos co-CEOs Anshu Jain e Jürgen Fitschen um enorme parecer negativo. Enquanto ganhar seis de 10 votos é um deslizamento de terra em política, numa sociedade empresarial de capital aberto é um golpe esmagador. No final de Junho, Jain estava afastado e Fitschen tinha concordado em deixar a sociedade em Maio desse ano.

Os investidores estão a perder a paciência com os chefes dos bancos europeus, e não surpreende. Desde a queda do Lehman Brothers, em Setembro de 2008, oito dos maiores bancos da Europa anunciaram sucessivos despedimentos, somando até cerca de 100.000 trabalhadores, pagos pelo valor de US $ 63 mil milhões em sanções legais, e perderam US $ 420 mil milhões em valor de mercado. Em 2015, o Deutsche Bank perdeu um valor ‘record’ de € 6,8 mil milhões (US $ 7,6 mil milhões). Em meados de Fevereiro o sector sofreu uma liquidação épica com taxas de juro abaixo de zero, as taxas de juros da China igualmente a abrandar, a queda da cotação do petróleo, e a ameaçadora regulamentação e custos de litigâncias desencadearam um surto de pânico não visto desde o Outono de 2008. No ano passado, os novos CEOs assumiram a gestão do Barclays, Credit Suisse, Deutsche Bank e Standard Chartered. Agora têm de encontrar uma maneira de prosperar num mercado que está a ser reformulado simultaneamente por regulamentos estritos de novos capitais e uma miríade de ‘startups’ de tecnologia financeira que não precisam de obedecer-lhes.

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