PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Governo do PS sob intenso fogo

esboço_orçamental

O que está a suceder ao governo PS, com o chamado ‘esboço de orçamento’ entregue em Bruxelas, não é surpreendente, por vários motivos:

1)    Com duas lideranças de políticas e objectivos dissemelhantes, e bastante controvertidas, António José Seguro e António Costa conduziram o PS por caminhos erráticos e dispendiosos – um dos custos, elevado,  foi a aprovação do Tratado Orçamental na AR que Seguro garantiu a Coelho e Portas.

2)    O grau de incompatibilidade dos acordos parlamentares com BE, PCP e ‘Verdes’ face às regras de Bruxelas esteve sempre latente e, em face dos resultados do PCP nas presidenciais, o ambiente piorou entre parceiros do acordo parlamentar de esquerda.

3)    A direita neoliberal (PSD+CDS) que governou este País entre 2011, quando obteve 50.35% dos votos, e 2015, com uma votação de apenas 38,50%, uma vez desalojada do poder, jurou ao PS, acima de tudo ao PS, um assassinato do governo, compreendendo a quebra da coligação parlamentar – Cristas na última reunião interna do CDS já começou a encristar-se e o Montenegro, pelo PSD, retomou a luta pró vida negra a António Costa.

Estes constituem os actores, cenários e condicionalismos que, a nível do País, caracterizam a  acção política – é verdade, lembro-me agora de que, há muito, deixei de ver o Marco António Costa, o ‘Big Mac’  do PSD. Estará a ser digerido pelo Ministério Público? Bom proveito!

Em relação ao governo, e à medida que o tempo e as prestações pessoais se sucedem, o Ministro das Finanças, Mário Centeno, não é símbolo de ânimo ou confiança. Será, porventura, um exagero da minha parte, mas o homem faz-me lembrar o Álvaro, sim o Alvarinho dos ‘Pasteis de Belém’. Até hoje, tem mostrado o sorriso, sendo incapaz de comunicar, de forma clara e convincente, aos portugueses, os fundamentos do crescimento económico e do défice nominal estabelecidos no ‘esboço orçamental’ remetido a Bruxelas.

A falta em relação aos portugueses é de somenos. Um dos ‘centros de decapitação’ da soberania alienada de modo ingénuo e pacóvio, Bruxelas, com a carta a que se pode aceder através desta notícia, parece pedir, apenas, ao Governo de António Costa explicações pelo facto de, no tal ‘esboço orçamental’, termos indicado uma redução do ‘défice estrutural’ de apenas 0,2%, quando desde Julho de 2015 se estabelecera 0,6%.

O ‘défice estrutural’ é uma absurda aberração teórica das doutrinas da ‘economia de mercado’ dos tempos modernos; mas, a esse tema, que é árduo para quem aborda e árido para os leitores, regressarei em ‘post’ a publicar em breve.

De autores nacionais, há notícias e comentários abundantes, da ‘SIC Notícias’, do ‘Jornal de Negócios’, do ‘Diário Económico’ e do ‘Expresso Diário’, muitas das vezes mais severos do que os provenientes de Bruxelas. Do idiota José Gomes Ferreira a um tal Martim Silva, com o despenteado (por fora e por dentro) João Vieira Pereira de permeio, os órgãos de informação do grupo Impresa distinguem-se, de facto, no  jornalismo tendencioso, de direita, que o Dr. Balsemão resolveu mandar executar aos servis colaboradores que escrevem e falam nas publicações e canais de TV do seu grupo.

Entretanto, e anunciado por alguns rostos com manifesta alegria, chegaram as balas disparadas pela Moodys, Fitch e Standard & Poor’s, as famigeradas ‘agências de rating’, tão precisas e informadas, que no dia em que o Lehman Brothers deu o monumental estoiro da bancarrota, ainda o mantinham na mais elevada classificação. No entanto, essas agências têm enorme poder e vamos ver que preços políticos (António Costa e sua equipa) e as finanças portuguesas suportarão junto de mercados e investidores, essa secreta mistura de ocultas estruturas e pandilhas que, cada vez em menor número e através de valores incalculáveis, vão disseminando a pobreza no mundo.

A finalizar, cite-se o novo episódio da guerrilha do ‘esboço orçamental’. Os tiros foram disparados pela UTAO; são domésticos, portanto. Costa e Centeno estão a converter-se em alvos fáceis para atiradores dispersos pelos mais diversos pontos geográficos. A UTAO fez o que lhe pediram e emitiu um parecer. Sucede que também é bastante negativo:

O Governo está a registar como medidas extraordinárias cerca de 1900 milhões de despesas e receitas que não têm essa característica, conseguindo dessa forma melhorar artificialmente o resultado obtido no défice estrutural”.

O ‘défice estrutural’, sempre ele!

Esta manhã, António Costa comparecerá no Parlamento para a sessão quinzenal do primeiro-ministro na AR. Das bancadas laranjas e do CDS, haverá certamente um bombardeamento intenso. Lá estará um Coelho, de Cristas enfeitado, a torturar o sucessor com o maldito ‘défice estrutural’, esquecendo-se que, para o seu Governo em 2015, está previsto um défice estrutural de 1,8%, i.e., 0,4% acima do que estava estabelecido pela CE.

Por fim, refira-se Carlos César. Já adiantou que o Governo poderá fazer certas cedências à Comissão Europeia, desde que esta esteja disposta a percorrer caminho inverso até meio da ponte. Se ele não está certo de que Bruxelas pagará essa portagem, também duvido de que, do outro lado da ponte, os portageiros venham a receber qualquer pagamento dos parceiros da coligação parlamentar.

Anúncios

About Carlos Fonseca

2 comments on “Governo do PS sob intenso fogo

  1. Pingback: Tratado Orçamental e crescimento: um binómio compatível? | PATRÍCULA ELEMENTAR

  2. Pingback: Geringonça round #1 | PATRÍCULA ELEMENTAR

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: