PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Taxação na UE: cartadas polacas contra Jerónimo Martins e BCP

fiscalidade_sobre_fortunas_Jerónimo Martins

Apenas para os menos familiarizados com os acrónimos de grupos económicos, JM é a sigla de ‘Grupo Jerónimo Martins’, das empresas ‘Pingo Doce’, o ‘cash-and-carry’ ‘Recheio’, a polaca ‘Biendronka’ e a colombiana ‘Ara’. Isto sem ter em conta as parcerias com a Unilever na ‘Fima’ (margarinas ‘Planta’, ‘Vaqueiro’ … e gelados ‘Olá’) e a ‘Lever Portuguesa’ que, na qualidade de fabricante de detergentes e produtos de higiene pessoal, foi encerrada em Sacavém há tempos. Em conjugação com a  alienação da Sonadel (ex-grupo CUF/Quimigal) à Colgate, realizada por um Governo de Cavaco Silva com Mira Amaral na ‘Indústria’, o País ficou sem grandes fabricantes de produtos de limpeza e de higiene Pessoal.

A JM internacionalizou-se, o que, em princípio, é positivo. Todavia, nesta Zona Euro, por falta de uniformidade fiscal em 19 países de moeda única, euro,  a JM, pela voz do putativo Alexandre Soares dos Santos (ASS), ufana-se, com frequência, de pagar na Holanda os impostos do que ganha em lojas em Portugal, Polónia e Colômbia – perto de duas dezenas de outras empresas, incluindo a sua concorrente Sonae/Continente, sem ponta de pudor, fazem o mesmo. Patriotas!

A ‘Bloomberg’, em notícia citada pelo ‘Diário Económico’, refere que o governo polaco, a fim de proteger e apoiar o comércio local, vai aplicar uma taxa ao sector da grande distribuição, do qual a JM é líder através da ‘Biendronka’. Esta empresa representa cerca de 60% das vendas do grupo no retalho. As taxas a aplicar pelo governo local variarão entre 0,7% e 1,3%, em dias úteis. Aos Sábados, Domingos e feriados, poderão atingir 1,9%.

Se, porventura, igual medida fosse aplicada no mercado português, teríamos de certeza o putativo Sr. Alexandre em acções de contestação mediáticas. O circuito começaria nesse antro da direita em que a SIC se transformou. O negócio de publicidade do canal do Dr. Balsemão com a JM e associadas é muito relevante na hora de aperto das contas do grupo Impresa.

Imediatamente, teríamos na SIC Notícias, em ‘Negócios da Semana’, o idiota José Gomes Ferreira a dar força à contestação de ASS e este a desancar no Governo do País – o anterior Executivo seria devastado pela multa de 500 mil euros da ASAE; o actual, com ódio reforçado por ser socialista e apoiado pela esquerda parlamentar, seria alvo de ferozes ataques, com a ajuda do repelente entrevistador.

Também, pela calada dos gabinetes dos compradores do ‘Pingo Doce’ e ‘Recheio’, ASS, o seu filho  e servis colaboradores provavelmente tudo fariam para passar a conta a fornecedores, provocando condições de insolvência aos mais frágeis, arte em que, de resto, em conjunto com o Sonae/Continente, a JM se distingue de forma suprema. Simplesmente, na Polónia, onde aparentemente a CE não considera negativo que as contas públicas se consolidem com base nas receitas e não com as despesas do Estado, a JM tem de obedecer humildemente ao Governo de extrema-direita polaco.

Millennium

A cotação das acções do BCP, na última sessão da Bolsa de Lisboa (25-Jan-2016), fixaram-se em 0,0372/acção. Se recordarmos que, na altura em que o tétrico Jardim Gonçalves, com as fraudulentas sociedades ‘offshore’, no aumento de capital do banco, conseguiu impor ao mercado o preço de € 5,00/acção, temos a noção do enorme dolo praticado e da impunidade com que a sinistra figura da ‘Opus-Dei’ foi beneficiada. Mas, temos sabido nos últimos anos, a banca portuguesa, dirigida por gente pérfida e oportunista, atingiu, de facto, uma situação caótica que há poucos anos estávamos longe de imaginar – BPN, BPP, BANIF, BES e o que mais está para chegar são crimes de danos à economia e ao interesse público do País, perante os quais políticos e justiça estão paralisados. A Grã-Bretanha, da esquerda à direita, decidiu, e bem, nacionalizar bancos em risco de insolvência, recapitalizou-os e tem revendido sem pressão as suas acções. O Estado Britânico tem recuperado grande parte do que investiu na reestruturação de bancos em dificuldades – um deles foi o Lloyd’s, dirigido pelo nosso Osório.

Bom, como em Portugal não houvesse como para fazer a vida difícil ao Millennium / BCP e ao seu presidente Nuno Amaro, surge-lhe ao caminho o governo de extrema-direita da Polónia. Com efeito, diz o ‘Jornal de Negócios’, o Governo polaco está a preparar uma taxa financeira que pode reduzir de 20% a 30% os lucros do Millennium.

Conclusão

A Polónia não aderiu ao Euro, mantendo-se firme no uso da moeda própria, o zloty (1 zloty = 00,2232 do euro). Tem, pois, flexibilidade para fazer desvalorizações monetárias e criar condições de competitividade que os países mais frágeis da Zona Euro  jamais conseguem alcançar.

Anúncios

About Carlos Fonseca

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: