PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Maniqueísmos

Pelas descrições e excertos na comunicação social, a sessão de hoje na Comissão de Educação foi mais uma razoável perda de tempo, já que o diálogo não é possível entre duas visões ideologicamente opostas das coisas e não se trata de uma oposição Esquerda/Direita. Assim como continuamos com um debate político paupérrimo sobre Educação, aprisionado por chavões mais do que datados dos dois lados, embora sendo mais deprimentes as intervenções de algumas parlamentares (em especial na área do PSD, mas também já @s houve na área do PS) com um conhecimento paupérrimo da matéria específica da Comissão parlamentar específica a que pertencem, preferindo agitar o bicho-papão da Fenprof (preferiam as decisões à medida da AEEP e a anuência do Queiroz à do Nogueira?) em vez de apresentarem algo de mais substancial para debater.

Polarizar o debate em torno da questão dos “exames” é de uma indigência intelectual imensa, em especial quando se evocam dos dois lados das barricadas “estudos internacionais” em sua defesa, nunca conseguindo ir-se além de “relatórios”, em regra da OCDE ou dos testes PISA. Já se perceberam as duas posições, assim como o facto de cada uma delas se ter acantonado no ringue, sem possibilidade de acharem uma caminho razoável. A aferição não esgota a avaliação externa e precisa de um caminho longo para ser tomada a sério pela larga maioria dos envolvidos; fazer “exames” por si só não traz melhorias ao sistema, sem medidas adicionais que são incompatíveis com os cortes brutais que foram feitos em meios humanos (os mais importantes) na Educação. Consigo encontrar “estudos” que demonstram cada qual destas afirmações e podemos empilhá-los de cada lado da mesa do debate.

É pena que estejamos a passar de novo por mais um período de tábua rasa que, mais ou cedo ou mais tarde, pode conduzir a que, na própria área política do PS, exista uma reacção inversa que coloque tudo em causa. Basta lembrar o que Maria de Lurdes Rodrigues e a sua equipa disseram (e fizeram) em relação que fora herdado dos tempos da paixão de Guterres pela Educação. O novo ME parece, nesse particular, um guterrista convicto. Mas isso é, por si só, matéria para desenvolvimento.

NY4

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About Paulo Guinote

Professor quando me deixam. Investigador quando posso.

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This entry was posted on 13 de Janeiro de 2016 by in Educação.

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