PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

E a economia portuguesa? Vai devagar, devagarinho

Coelho e Portas

Os dois peritos da arte do eleitoralismo

O Défice e o PIB

O INE publicou hoje dados sobre a economia portuguesa. Confesso ter reagido com perplexidade ao título e à organização sequencial dos temas das notícias do INE. O défice em relação ao PIB, variável fundamental em finanças públicas, é tratado de forma secundária. Os técnicos do INE destinaram-lhe o último parágrafo da notícia, que textualmente passo a reproduzir:

“Considerando o conjunto dos três primeiros trimestres de 2015, o saldo global das AP [Administrações Públicas] fixou-se em -4.843,7 milhões de euros, correspondente a -3,6% do PIB (-8,9% do PIB em igual período do ano passado, -5,1% excluindo a capitalização do Novo Banco).”

Sempre contrariada pelas instituições internacionais – Comissão Europeia e FMI, em especial – Maria Luís Albuquerque (MLA) cismou que o défice orçamental teria de ser de 2,7% este ano, para facilitar a saída do País do Procedimento do Débito Excessivo (PDE). Jamais teve a lucidez de reconhecer que, à medida que a execução orçamental se desenvolveu, estava a afastar-se do fantasioso objectivo.

A nível interno, também a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) manifestou há escassas semanas que o défice de Janeiro a Setembro de 2015 seria de 3,7% (errou por 0,1%). O valor anual de 2,7% do imaginário de MLA será impossível e acrescento eu que mesmo os 3% de limite pretendidos por Mário Centeno (MC) têm uma elevada probabilidade de falhar – diga-se que, segundo o ministro das finanças, a despesa com a resolução do Banif agrava o défice, mas é neutra para efeitos de saída do PDE.

Se nos deslocarmos para o PIB, o INE também anunciou há tempos que o PIB no 3.º trimestre de 2015, em termos homólogos relativamente a 2014, se tinha fixado em 1,4%. Portanto, 0,1% abaixo do crescimento anual de 1,5% previsto pelo Executivo cessante. A redução do PIB, uma vez que é o denominador da relação défice / PIB, contribui para elevar a percentagem dessa relação, ou seja, aumentar o valor percentual do défice.

Conclusão:

MLA deslocou-se há tempos à Alemanha, para ao jeito das meninas púdicas e de soquetes da escola secundária do meu tempo, ser fotografada de ar inocente com o mestre Schäuble. Com os números hoje publicados, e a despeito da imagem que andou a impingir aqui e lá fora, deu nova prova de incompetência e de desonestidade intelectual. Define metas que sistematicamente falha, mentiu na AR no caso dos ‘swaps’ e arrumou com o ‘Banif’ e com mais 3.600/3.800 milhões de euros dos contribuintes. A herança não é fácil e a PàF, por eleitoralismo, omitiu informação relevante para a vida de um povo, com topetes atrás de topetes desta senhora, do primeiro-ministro e do vice Portas – os dois grandes momentos do XIX Governo foram, de resto, marcados pelas frases “que se lixem as eleições!”, PPC, e “demissão irrevogável”, PP.

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