PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Cortes na saúde, morte de um jovem e demissão de altos-quadros

Aneurisma+cerebralO episódio ocorreu no Hospital de São José em Lisboa (unidade do CHLC – Centro Hospitalar Lisboa Central). Um jovem de 29 anos, vítima de aneurisma cerebral, faleceu por carência de assistência médica. É inconcebível mas autêntico: na referida unidade hospitalar, aos fins-de-semana, desde Abril de 2014 não funcionava a neurocirurgia e, desde Fevereiro de 2013, a neurorradiologia de intervenção, para realizar cirurgias.

Ao contrário das doenças cardiovasculares comuns (enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral), que em Portugal constituem 40% das causas de óbitos, o aneurisma cerebral tem uma taxa de incidência reduzida; sobretudo, em jovens em idades próximas do falecido. É mais frequente em pessoas acima dos 50 anos.

David perdeu a vida em função de duas razões:

  • Uma é intrínseca da própria doença: “o aneurisma cerebral é uma dilatação da artéria sob a forma de balão a que se associa um enfraquecimento da parede do vaso, estando calculado que 15% dos doentes acometidos por este tipo de aneurisma falecem antes de chegar ao hospital; e mesmo a taxa de mortalidade daqueles que dão entrada com vida é elevada.
  • Não recebeu cuidados especializados (neurologia), porque foi internado em 11-Dez-2015 em Santarém sem tratamento e, depois, por inexistência de médicos da especialidade aos fins-de-semana, num dos principais serviços de emergência hospitalar de Lisboa – Hospital de São José, onde faleceu 2.ª feira

O Ministério da Saúde, agora dirigido por Adalberto Campos Fernandes, médico e professor da Escola Nacional de Saúde Pública, mandou instaurar um inquérito ao Centro Hospitalar de Lisboa Centro.

A presidente do CHLC, Teresa Sustelo, comunicou em conferência de imprensa a demissão. Estava acompanhada pelo presidente da ARS de Lisboa, Luís Cunha Ribeiro, e pelo presidente, Carlos Martins, do CHLN – Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente integram esta estrutura). Tanto Cunha Ribeiro como Carlos Martins, à boleia da Dr.ª Teresa, também se demitiram.

Passámos estes últimos dois dias a ouvir falar do Banif. A ex-Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o seu chefe Coelho estiveram em foco pela governação irresponsável do sistema financeiro, factor de grave incompetência compartilhada por Carlos Costa, governador do BdP. É um assunto sério e este caso vai causar ao erário público, contribuintes, mais um custo entre 3.600 e 3.900 milhões de euros com os problemas da banca.

Mas como se diz que a vida não tem preço, e em especial para quem, jovem e acometido de patologia grave, entra num dos principais hospitais da capital e morre por falta de médicos, acrescente-se outro nome ao lote dos incompetentes e insensíveis: Paulo Macedo, o autor dos cortes do SNS que conduzem à morte.

O homem era considerado, até por figuras do centro-esquerda (Clara Ferreira Alves era uma delas) o melhor ministro do Executivo de Coelho e Portas. Proporcionou poupanças nas contas das farmácias. Poderá, todavia, suceder que tenha aumentado os gastos em despesas funerárias, que são mais complexos de calcular. Por coincidência também é um homem da banca (BCP); ou seja, de uma maneira ou de outra, a gente banqueira ou bancária persegue e ataca os portugueses até à agonia final. Ao que chegámos!

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