PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

O flagelo do desemprego

o trabalho

O grave é que estão a espantar o trabalho

Há tempos um conferencista britânico, na presença de governantes do anterior Executivo, na Gulbenkian, interrogava:

“Como é possível um Governo dizer-se em situação económica favorável com uma taxa de desemprego de 12 e tal porcento?”

A provocação foi dirigida ao Governo de Passos e Portas, em especial ao seu Ministro da Economia, Pires de Lima. Os oradores seguintes e quem, da assistência, interveio no debate ignoraram a pergunta.

A interrogação tem todo o sentido, mais a mais formulada perante membros de um governo que levou tão longe quanto a Constituição (CRP) lhe permitiu uma liberalização da legislação laboral, invocando que, derrubada a rigidez do nosso Código de Trabalho e instalada a flexibilidade nas Leis Laborais, se criariam automaticamente os mecanismos para a multiplicação de emprego. Tratou-se de criminoso embuste que, em complemento de outras políticas, arrastou centenas de milhares de cidadãos para o desemprego, o trabalho precário e sobretudo a colocação de mais de dois milhões de pessoas em risco de pobreza, algumas dos quais bem dentro da pobreza ou até da miséria.

O desemprego é, sem dúvida, o grande flagelo social e económico dos nossos tempos. Há estatísticas, números e percentagens; todos os dados oficiais. Todavia, é sabido que com os critérios utilizados (estágios, acções de formação profissional a somar àqueles que, vividos longos tempos de angustiante expectativa, deixam de se deslocar aos Centros de Emprego); com os critérios utilizados, dizia, as estatísticas do INE e do Eurostat não podem reflectir com exactidão o desemprego total na sociedade portuguesa ou em qualquer outra que, ao aplicar iguais condicionalismos, incorrem no mesmo erro de minimização.

A fim de termos noção exacta da dimensão do dramático problema com que milhões de cidadãos na Europa se confrontam, citamos alguns dados da UE28 da Zona Euro (19 países). O caso de Portugal, a despeito de compreendido nos dados agregados do espaço comunitário, mereceu referências à parte de aspectos particulares do País:

  1. A UE28 e a Zona Euro

População activa (milhões de cidadãos empregados e desempregados):

EU28: 243,464 milhões de cidadãos

Zona Euro (AE19): 160,895 milhões

Fonte: OCDE

Taxa de desemprego total em Outubro de 2015:

UE28: 9,3%

Zona Euro (AE19): 10,7%

A Eurostat estima que na UE28 existam 22,497 milhões de desempregados, dos quais 17,240 na Zona Euro.

Portugal, no conjunto UE28, ocupa a 5.ª posição dos países com taxas de desemprego mais elevadas:

1.º Grécia …………………. 24,6%

2.º Espanha ………………. 21,6%

3.º Croácia ………………… 15,8%

4.º Chipre …………………. 15,1%

5.º Portugal ………………. 12,4%

Fonte: EUROSTAT

Desemprego Jovem:

Atinge 4,530 milhões de jovens entre os 15 e 24 anos na UE28, destacando-se as elevadas taxas da Grécia (47,9%), da Espanha (47,7%) e da Croácia (43,1%). Portugal regista uma taxa igualmente alta, mais de 34%, quando a média europeia se situa nos 16,6%.

  1. Portugal

Conquanto a propaganda do sucesso económico da saída limpa – na verdade, sujíssima – do programa de ajustamento, Portugal tem registado e continua a registar episódios de despedimentos colectivos em diversos sectores, de que passamos a citar exemplos:

  • A Soares da Costa, soube-se hoje, está em vias de realizar um despedimento colectivo de 500 trabalhadores.
  • A Somague, no dia seguinte às eleições de 4-Out. concluiu um despedimento colectivo de 273 pessoas.
  • A Unicer vai encerrar a fábrica de Santarém (em Angola há muita sede de cerveja, mas pouquíssimos petrodólares) e, nessa unidade, despedirá à volta de 70 trabalhadores, podendo vir a juntar-se outros das instalações de Leça do Balio.
  • A Fábrica Triunfo (bolachas) encerrará e despedirá 100 trabalhadores.
  • A Triumph (lingerie) vai deslocar-se para a Índia e despedirá 530 trabalhadores.
  • A SIC despediu 20 profissionais da comunicação social (e continuará a despedir outros?).
  • O ‘Público’ prepara-se para reduzir substancialmente outros profissionais da comunicação social – há quem admita serem, pelo menos, 40 os visados.
  • O ‘Sol’ e o ‘i’, do grupo económico do angolano Álvaro Sobrinho (ex-administrador do BESA que perdeu – ele, duvido, e nós, de certeza – o rasto a 3.600 milhões de euros) vai mandar para o desemprego mais de 100 trabalhadores, a grande maioria jornalistas.
  • No sector da banca, temos o Novo Banco a despedir 1.000 trabalhadores (alguns poderão optar pela reforma antecipada) e o Banif que começou em 300 despedimentos. Creio que o número será consideravelmente maior.

Somados estes números, chegamos praticamente a 3.000 cidadãs e cidadãos que ficam a engrossar o imenso grupo de desempregados. Muitos deles, devido à idade, à falta de oferta de trabalho e fortes contingências, desde as novas tecnologias a situações de ‘dumping’ social que os organismo internacionais, nomeadamente ONU e OTI, não tem mostrado capacidade e/ou vontade de extinguir; muitos deles, dizia, vão cair na pobreza ou mesmo na miséria. E a miséria, como dizia Charles Chaplin, é um vício.

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This entry was posted on 17 de Dezembro de 2015 by in Economia, Europa, Política nacional, Sociedade and tagged , , , , , , , , .

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