PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Frases insólitas e célebres do ’Corta Fitas’

corta fitasSucede-me quando viajo só no meu carro. Se nenhuma preocupação especial me absorve, o meu pensamento deambula por divagações súbitas e inexplicáveis. Cismo isto, cogito aquilo e, sem matutar a valer, salto de tema em tema, não chegando a conclusão alguma. Trata-se, creio, de um jogo que psiquicamente me é imposto, ignorando por quem, por que motivo e com que objectivo. Talvez se trate de problema psicopatológico. Todavia, não é penoso como a dor de dentes. Nunca senti, por isso, a necessidade de consultar um psiquiatra ou mesmo um neurologista. De resto, estou certo não haver terapia ou medicamento que curasse tal maleita.

Às vezes, confesso, determinados pensamentos e recordações servem de diversão. Treinadíssimo como estou neste involuntário exercício, mesmo mental e fisicamente jamais me afasto da atenção no conduzir. Por outro lado, sempre é uma forma leve de, com frequência, percorrer um troço considerável da 2.ª circular, sem ar e gestos de condutor entediado.

Talvez a propósito das eleições presidenciais que se aproximam e de uma troca de mensagens no ‘Facebook’ em que invoquei uma frase publicitária de estupendo humor de Alexandre O’Neill, no devaneio imaginativo desta manhã veio-me à memória Américo Tomaz, Presidente de Portugal de 1958 a 1974 (25 de Abril).

Tomaz, também conhecido pelo ‘Corta Fitas’, tinha uma devoção profunda por inaugurações. Tinha tanta afeição ao acto de presidir a cerimónias inaugurais que, entre as lavandarias do Hotel Sheraton em Lisboa e as escadas rolantes do Metro do Parque Eduardo VII, pouco lhe escapou.

Em um dos actos, a inauguração do forno de vidro ‘Pittsburgh’ na Covina nos anos 1960, cruzei-me com o Sr. Almirante e, ao lado de Luís Sttau Monteiro, então publicitário, e de mais umas centenas de outros assistentes, tive de ouvir-lhe o discurso de encerramento da inauguração.

Se tivesse oportunidade e espaço para enunciar frases e discursos de Américo Tomaz, e cingindo-me apenas às inaugurações, necessitaria de estar a trabalhar horas a fio – a investigação seria necessariamente extensa e demorada. Apenas com o intuito de invocar exemplos da alta qualidade discursiva do ‘Corta Fitas’, cito as seguintes frases:

“É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive”

e

“ (… É uma terra [Manteigas] bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude…).

Nem o Miguel Relvas, com o “ambos os três”, consegue bater o legado do Presidente almirante… siga a Marinha!

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This entry was posted on 13 de Dezembro de 2015 by in Política nacional, Sociedade and tagged , , , , .

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