PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Na solidão da pole position

marcelo_rebelo_sousa1950: Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa na Avenida Pedro Álvares Cabral, junto ao Instituto Aurélio Costa Ferreira, onde a mãe trabalhava

«Tive em minha casa um dos primeiros televisores que houve em Portugal, no período experimental da Televisão. Lembro-me do primeiro programa que vi, foi em 1955, eu tinha 7 anos: foi um concerto de música clássica. As pessoas ficavam ali sentadas, como se estivessem numa sala de espectáculos, num silêncio sepulcral, a ver sair aquilo daquela caixa. (…) A Televisão faz a clivagem, sim.» (*)

Anda alguma gente assanhada contra Marcelo Rebelo de Sousa. No entanto, se é certo (inegável) que a televisão o ajudou (e ainda ajuda) e muito – permitindo, designadamente, que dispense agora o uso de cartazes e outros materiais de propaganda para a sua campanha -, certo é também que o problema, a haver (e creio que sim, que há) é realmente do PS, com inevitáveis consequências para as esquerdas à sua esquerda. E com danos nem tanto assim colaterais para a candidatura de António Sampaio da Nóvoa.

Marcelo Rebelo de Sousa é do PSD, bem o sabemos, mas é também um livre-pensador: alguém que desde há muito descolou dos enunciados oficiais do seu partido, hoje nas mãos de uma agremiação de neoliberais radicais, uns feitos homens já nesse modelo ideológico (que aliás atinge pessoas de todos os partidos, por mais paradoxais que algumas combinações doutrinárias possam parecer) e outros nele aggiorna[d]os, em nome da sua (da deles) sobrevivência política.

De espírito desempoeirado – muito mais que os seus correligionários de gerações mais recentes – Marcelo Rebelo de Sousa está, como é conhecido de todos, na pole position para as Presidenciais. E está de tal forma isolado que até enerva, pela ausência de adversários para tão relevante competição, e mal-grado os tantos candidatos que se perfilam desde há muito para a 1ª volta.

(*)  in Quando eles eram pequeninos, de Sarah Adamopoulos, pelas Edições Nelson de Matos (2008)

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About Sarah Adamopoulos

Antiga jornalista profissional, dedica-se à edição de livros - criação e produção editorial - desde 2008. Anda pelos blogues desde 2003, lugares de eleição para a escrita rápida e para o debate de sociedade. Autora de vários livros, entre os quais "Fado menor" (literatura, 2005) e "Voltar – memória do colonialismo e da descolonização" (investigação historiográfica, 2012). Traduziu, entre outros, o primeiro grande estudo económico sobre a desigualdade no Mundo publicado no século XXI ("O capital no século XXI", de Thomas Piketty). Tem sempre peças de teatro e poemas na cabeça.

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