PATRÍCULA ELEMENTAR

«A nossa pequena pátria, a nossa patrícula.» B. Vian

Pacheco Pereira e o ideário social-democrata

Jose-Pacheco-Pereira

José Pacheco Pereira transformou-se num herói da esquerda e isso está a incomodar o actual PSD.

O actual PSD, que corresponderá, estou em crer, a uma fase – uma má fase, para dizer o mínimo, e má, para não dizer péssima, sobretudo para o povo, que tem sofrido as consequências da sua mais recente governação – gostaria que Pacheco Pereira batesse em retirada e que, pelo próprio pé (assim mesmo ouvi dizer por aí), abandonasse o PSD.

Pacheco Pereira já respondeu aos jornalistas que o interrogaram. E a palavra interrogatório que ficou aqui a espreitar tem um significado não-despiciendo, atendendo ao muito deficiente jornalismo que se limita a reproduzir, por todos os meios e em toda a parte, as ideias da rapaziada do actual PSD.

De facto, vi os jornalistas nas televisões a perseguir Pacheco Pereira com modos de enviados de instâncias de correcção superiores, como se pagos para obrigar Pacheco a conformar-se ao que as críticas do actual PSD com veemência sugerem.

Interessante será pensar que esses interrogatórios de algibeira, disparados de qualquer esquina de rua que Pacheco tenha o azar de ir a contornar, evocam justamente as práticas dos regimes autoritários que o actual PSD (sem dúvida atiçado pelo CDS) transporta ad nauseam no seu presente discurso anti-comunista primário (a expressão tem neste contexto e neste preciso tempo político a sua mais plena adequação semântica), sobretudo desde o arranque da “geringonça” governativa conduzida pelo PS de esquerda de Costa e César.

Aos inspectores do actual PSD respondeu Pacheco que o PSD não é um clube de futebol e que há muita gente no PSD que questiona a deriva ideológica que tem afastado o partido do seu ideário social-democrata. O tema do ideário dava pano para mangas, mas fica para outra vez.

Dizer ainda apenas que o facto de José Pacheco Pereira ter andado anos a fio enfiado na História da resistência comunista ao antigo regime fez dele um social-democrata como não há mais nenhum (acho que posso afirmá-lo sem grande risco) em Portugal. Pois há nesse conhecimento aprendizagens sobre a realidade social e política do país português com que nenhum actual combate político pode verdadeiramente competir.

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About Sarah Adamopoulos

Antiga jornalista profissional, dedica-se à edição de livros - criação e produção editorial - desde 2008. Anda pelos blogues desde 2003, lugares de eleição para a escrita rápida e para o debate de sociedade. Autora de vários livros, entre os quais "Fado menor" (literatura, 2005) e "Voltar – memória do colonialismo e da descolonização" (investigação historiográfica, 2012). Traduziu, entre outros, o primeiro grande estudo económico sobre a desigualdade no Mundo publicado no século XXI ("O capital no século XXI", de Thomas Piketty). Tem sempre peças de teatro e poemas na cabeça.

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This entry was posted on 10 de Dezembro de 2015 by in Política nacional and tagged , , , , , .

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